Blog

Skincare após os 40 anos: o que muda na pele e o que fazer a respeito

Os 40 anos costumam ser o momento em que minhas pacientes chegam ao consultório com uma percepção nova: a rotina que funcionava até agora parece não estar acompanhando o ritmo das mudanças. A pele ainda responde bem aos cuidados, mas os resultados pedem mais atenção, mais consistência e, muitas vezes, uma revisão completa dos produtos usados.

Por isso, resolvi escrever sobre essa fase especificamente. Não porque seja um ponto de virada dramático, mas porque é quando vale a pena tomar decisões mais estratégicas sobre a saúde da pele.

O que muda na pele depois dos 40

De fato, a queda na produção de colágeno, que começa por volta dos 25 anos, se torna mais perceptível nessa década. Também é nessa fase que muitas mulheres entram na perimenopausa, o período de transição hormonal que pode durar anos antes da menopausa em si. Por isso, essa oscilação hormonal tem efeito direto na pele: ela resseca mais, perde firmeza em algumas regiões e pode apresentar irregularidades no tom que não existiam antes.

Além disso, o acúmulo de exposição solar ao longo dos anos começa a aparecer com mais força. Assim, manchas que antes eram discretas ficam mais visíveis. As linhas de expressão, que nos 30 anos só apareciam no movimento, agora marcam a pele mesmo em repouso. No contorno facial, é comum perceber uma perda gradual de definição na região do queixo e mandíbula.

Nos homens, o processo hormonal é mais gradual, mas o fotoenvelhecimento acumulado também se manifesta com clareza nessa época.

Rotina de manhã

De manhã, o objetivo é proteger e iluminar. Para isso, a limpeza deve ser suave, com um gel ou espuma que remova os resíduos da noite sem agredir a barreira da pele, que nessa fase já é naturalmente mais sensível.

Em seguida, um sérum com vitamina C estabilizada faz diferença real: age como antioxidante, uniformiza o tom e potencializa a proteção do protetor solar. Por fim, o protetor com FPS 50 ou superior é inegociável. Mesmo em dias nublados e em ambientes com janelas, a radiação UVA atravessa o vidro e é a principal responsável pelo fotoenvelhecimento acumulado. Também reaplicar ao longo do dia, especialmente em quem fica exposto ao sol, é um hábito que tem impacto real a longo prazo.

Rotina de noite

À noite a pele entra em modo de regeneração, e é o momento de usar os ativos mais potentes.

De todos os ativos disponíveis, o retinol é o que tem mais evidência científica para rejuvenescimento. Depois dos 40, ele deixa de ser opcional e passa a ser parte central da rotina noturna. Para quem ainda não usa, recomendo começar com concentrações baixas, duas vezes por semana, e aumentar gradualmente conforme a tolerância.

Também é nessa fase que os ácidos como o glicólico e o mandélico ganham espaço: promovem renovação celular, melhoram a textura e ajudam a clarear manchas superficiais. No entanto, retinol e ácidos não precisam ser usados na mesma noite.

Para fechar a rotina, um hidratante com ceramidas e peptídeos é fundamental. Além de recuperar a barreira cutânea, os peptídeos estimulam a produção de colágeno e elastina. Já a área dos olhos merece um creme específico, com ácido hialurônico e cafeína, que ajuda a reduzir olheiras e o inchaço matinal.

Os ingredientes que realmente entregam resultado

Para quem quer objetividade, estes são os que mais indico para quem está nos 40:

Retinol: padrão-ouro no rejuvenescimento domiciliar. Estimula renovação celular, suaviza rugas e melhora a textura. Depois dos 40, deve estar na rotina de praticamente todo mundo.

Vitamina C: antioxidante e iluminadora, essencial de manhã para neutralizar os radicais livres e uniformizar o tom.

Niacinamida: fortalece a barreira cutânea, equilibra oleosidade e ajuda a tratar manchas de forma gradual. Escrevi um texto específico sobre ela aqui.

Peptídeos: estimulam colágeno e elastina com boa tolerabilidade, especialmente úteis para quem ainda não tolera retinol.

Ácido hialurônico: hidratação profunda e preenchimento imediato de linhas finas. Aliás, funciona melhor quando aplicado com a pele levemente úmida.

Ceramidas: essenciais para quem sente a pele mais ressecada ou sensível nessa fase.

Quando o skincare não é suficiente

Afinal, esse ponto é importante e gosto de ser direta com minhas pacientes.

O skincare domiciliar cuida da superfície e tem papel fundamental na prevenção e manutenção. Porém, ele não age nas camadas mais profundas da pele, que é justamente onde as mudanças dos 40 acontecem com mais intensidade. Para flacidez inicial, perda de definição do contorno e manchas mais estabelecidas, um procedimento entrega resultados que nenhum creme consegue reproduzir.

Para a firmeza e o contorno, o Ultraformer MPT usa ultrassom microfocado para estimular colágeno nas camadas profundas, sem cirurgia e com resultado progressivo. Além disso, os bioestimuladores de colágeno, como o Sculptra e o Radiesse, complementam esse trabalho ao estimular a produção de colágeno de dentro para fora ao longo dos meses.

Para manchas que resistem ao skincare, o peeling químico e a luz pulsada são aliados eficientes. Em casos mais profundos, o Laser Handpico age com precisão nas camadas mais profundas e é seguro para todos os fototipos.

Outra frente que tenho usado cada vez mais nos 40 é a combinação de peptídeos e exossomos. Eles podem ser aplicados de forma injetável, como o NCTF via mesoterapia, ou diretamente sobre a pele após laser, microagulhamento ou MMP, aproveitando os microcanais abertos para penetrar nas camadas mais profundas. De qualquer forma, chegam onde o ativo tópico não chega, estimulando a produção de colágeno com uma precisão que o creme não consegue alcançar.

Na verdade, a combinação entre uma boa rotina domiciliar e procedimentos pontuais é o que entrega os resultados mais duradouros e naturais que vejo no consultório.

Para tipos de pele diferentes

Quem tem pele oleosa ou mista tende a conviver melhor com essa fase, já que a oleosidade protege a pele de alguns efeitos do ressecamento. No entanto, mesmo quem tem oleosidade pode precisar de hidratação ativa: um gel-creme leve com niacinamida equilibra sem pesar. No caso de pele seca, a prioridade é recuperar a barreira com texturas mais ricas em ceramidas e ácidos graxos, especialmente à noite. Já quem tem pele sensível se beneficia de uma introdução gradual dos ativos mais potentes, como o retinol, respeitando o ritmo da pele.


Portanto, cuidar da pele nos 40 é um investimento que aparece. Quando a rotina é consistente e os produtos são escolhidos para essa fase da pele, os resultados chegam e se mantêm.

Se você sente que o skincare que usava antes não está mais respondendo, talvez seja o momento de uma avaliação. Na consulta, consigo identificar o que realmente está limitando os seus resultados e propor o protocolo mais adequado para o que você precisa agora.

*Dra Juliana Fonte é uma médica especializada em dermatologia, área de conhecimento que se concentra no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e afecções relacionadas à pele, pelos, mucosas, cabelo e unhas. Ela é também especializada na atuação em procedimentos médicos estéticos e cirúrgicos na área da dermatologia.

Rua Mariante, 180 - Sala 304

Bairro Moinhos de Vento - Porto Alegre/RS

Convênios e Particular

Atendimento de Segunda à Sábado

Marque sua consulta:

(51) 3414.2770 - 3307.2770 - 98692.6697