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COMO TRATAR UMA QUEIMADURA DE MÃE D'ÁGUA

Como tratar uma queimadura de mãe d’água

Quem passa o verão nas praias do Sul sabe que a mãe d'água faz parte do cenário. Transparente, quase invisível na água, ela não ataca por escolha. O contato acontece sem aviso, e a ardência que vem na sequência é intensa o suficiente para estragar qualquer tarde de praia.

O que fazer nesse momento faz toda a diferença. E, curiosamente, muitas das coisas que o instinto manda fazer são exatamente as que pioram a situação.

Primeiro passo: saia da água

Parece óbvio, mas é o mais importante. Ao sentir a ardência e perceber o contato com uma mãe d'água, saia do mar imediatamente. As espécies encontradas no litoral brasileiro em geral não são venenosas o suficiente para causar risco de vida, mas algumas pessoas têm reações alérgicas intensas, com edema, dificuldade para respirar ou taquicardia. No mar, qualquer reação forte vira um risco de afogamento.

Não toque, não coce, não esfregue

Quando a mãe d'água entra em contato com a pele, ela libera estruturas chamadas nematocistos, filamentos microscópicos carregados de toxina. O problema é que qualquer fricção sobre a área afetada faz esses filamentos liberarem ainda mais veneno. Por isso, resistir ao impulso de coçar ou esfregar é fundamental.

Se houver filamentos visíveis na pele, não os retire com as mãos. Use uma pinça ou, na falta dela, algo rígido como um cartão. O objetivo é remover sem pressionar.

O que aplicar na pele

Lave a área com água salgada, seja a própria água do mar ou soro fisiológico. Essa é a primeira limpeza recomendada. O vinagre também pode ser aplicado em seguida, pois o ácido acético ajuda a inativar os nematocistos que ainda não dispararam. Algumas correntes mais recentes da literatura questionam seu uso em determinadas espécies, então se não tiver vinagre disponível, a água salgada já cumpre bem o papel.

O que definitivamente não deve ser feito: lavar com água doce ou água quente. Ambas favorecem a ruptura dos nematocistos e aumentam a liberação de toxina. Também não recomendo aplicar pasta de dente, creme hidratante, pomada ou qualquer outro produto por conta própria. Esses itens podem piorar a irritação ou causar infecção na área já agredida.

Em casa, compressas frias ajudam a aliviar a ardência e a dor. Nada de medicamento sem orientação médica.

Quando a pele vai melhorar

A ardência e o desconforto costumam durar algumas horas. Depois, a pele pode ficar com manchas avermelhadas ou até pequenas bolhas na região afetada. Essa área fica mais sensível ao sol por um tempo, então, ao voltar à praia, proteja bem o local com protetor solar e evite exposição direta enquanto ainda estiver irritado.

Quando procurar atendimento

A maioria dos casos se resolve sem precisar de médico. Mas há sinais que pedem atenção: coceira generalizada pelo corpo, dificuldade para respirar, inchaço além da área do contato, tontura ou dor que não melhora após algumas horas. Esses são sinais de reação alérgica mais intensa que precisam de avaliação e tratamento adequado.

Se tiver alguma dúvida sobre como a pele ficou depois do episódio, ou se as manchas persistirem após o verão, uma consulta ajuda a avaliar se há alguma sequela que vale tratar.

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*Dra Juliana Fonte é uma médica especializada em dermatologia, área de conhecimento que se concentra no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e afecções relacionadas à pele, pelos, mucosas, cabelo e unhas. Ela é também especializada na atuação em procedimentos médicos estéticos e cirúrgicos na área da dermatologia.

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