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PEPTÍDEOS E EXOSSOMOS: O QUE MUDA QUANDO O ATIVO CHEGA NO LUGAR CERTO

Uma das perguntas que mais ouço quando apresento esses tratamentos para as minhas pacientes é: "Mas qual a diferença disso para o que eu já uso em casa?"

A resposta está em uma palavra: profundidade.

Peptídeos e exossomos são ativos poderosos. Mas o que os torna realmente transformadores no consultório não é só o que eles são. É onde eles chegam.

O problema da superfície

A pele existe, entre outras funções, para nos proteger. Ela cria barreiras muito eficientes contra o que vem de fora. Inclusive contra ativos que gostaríamos que entrassem.

Por isso, a maioria dos cosméticos fica nas camadas mais superficiais da pele. Eles hidratam, protegem, suavizam. Cumprem o papel deles. Mas quando o objetivo é estimular a produção de colágeno, reeducar células envelhecidas ou entregar fatores de crescimento nas camadas onde a renovação de fato acontece, a superfície não é suficiente.

Precisamos de um caminho.

O procedimento como veículo

É aqui que entra a lógica do protocolo que utilizo no consultório. O microagulhamento e o fracionado a laser criam microcanais na pele, aberturas temporárias que aumentam significativamente a permeabilidade das camadas mais profundas. Quando aplicamos os ativos imediatamente após o procedimento, eles encontram um caminho aberto e chegam exatamente onde precisam agir.

Não é a aplicação do ativo sozinha que faz a diferença. O procedimento isolado também não chega lá. É a combinação dos dois, no momento certo e na sequência certa, que multiplica o resultado de cada um.

Ou seja, essa é a essência do que chamamos de drug delivery: usar o procedimento como veículo para levar o ativo à profundidade onde ele realmente age.

Peptídeos: os mensageiros

Os peptídeos são cadeias de aminoácidos, os blocos que formam as proteínas do nosso organismo, incluindo o colágeno e a elastina. Quando chegam às células da pele na profundidade certa, funcionam como mensageiros: comunicam à célula que está na hora de produzir mais colágeno, de se renovar, de recuperar aquela firmeza que vai diminuindo naturalmente com o tempo.

Cada tipo de peptídeo carrega uma instrução específica. Alguns estimulam a síntese de colágeno. Outros, por sua vez, têm ação regeneradora e anti-inflamatória, como o GHK-Cu, um peptídeo de cobre com décadas de estudo e resultados muito consistentes em melhora de textura, cicatrização e qualidade geral da pele.

O resultado do tratamento com peptídeos é gradual e progressivo. A pele melhora a textura, ganha firmeza e aquela luminosidade que vamos perdendo aos poucos. De um jeito que parece natural, porque é.

Exossomos: os que entram

Os exossomos seguem uma lógica diferente. Eles não ficam do lado de fora mandando recado. Na verdade, penetram diretamente na célula e entregam o conteúdo no interior dela, onde as decisões biológicas acontecem.

Cada exossomo é uma vesícula microscópica carregada de fatores de crescimento, proteínas regenerativas e instruções genéticas que ativam processos de reparo e renovação celular. Quando chegam à profundidade certa via drug delivery, o impacto é de dentro para fora em sentido literal.

Na prática, os exossomos são especialmente interessantes para peles que precisam de uma renovação mais intensa, para quem quer potencializar os resultados de um procedimento, ou para quem busca uma recuperação mais rápida com um ganho expressivo de qualidade de pele.

Como escolho o ativo certo para cada pele

Essa é talvez a parte mais importante do protocolo: a escolha.

Peptídeos e exossomos não são concorrentes. São ferramentas diferentes, com mecanismos complementares, que uso dependendo do que cada pele precisa naquele momento.

Para uma pele que quer firmar, melhorar textura e estimular colágeno de forma consistente ao longo do tempo, os peptídeos costumam ser o caminho principal. Já quando a pele precisa de um impulso regenerador mais profundo, ou está em um momento de tratamento intensivo, os exossomos entram com mais força.

Em muitos casos, os dois se complementam dentro do mesmo protocolo, porque um trabalha na comunicação celular externa e o outro na ação interna. Juntos, cobrem frentes que separados não alcançam.

Portanto, a avaliação define o caminho. Não existe ativo universalmente melhor. Existe o ativo certo para aquela pele, naquele momento.

Como é a sessão

A sessão começa com o procedimento, seja o microagulhamento ou o fracionado leve, dependendo do que foi planejado para aquela pele. Em seguida, o ativo escolhido é aplicado enquanto os microcanais ainda estão abertos, garantindo a penetração nas camadas onde vai agir.

A sessão dura em torno de 30 a 60 minutos. A recuperação é rápida, com uma vermelhidão leve que costuma ceder em poucos dias. O resultado, por sua vez, começa a aparecer nas semanas seguintes, de forma progressiva.

O número de sessões e o intervalo entre elas dependem da avaliação e do objetivo. Em geral, um protocolo inicial com algumas sessões mensais é seguido de manutenção periódica.

Para quem é indicado

É indicado para quem quer uma melhora real na qualidade da pele: textura, firmeza, luminosidade, redução de linhas finas. Também é uma boa opção para quem já faz procedimentos e quer ir além do resultado padrão, ou para quem busca um tratamento que respeita a biologia da pele, estimulando o que o organismo já sabe fazer.

Além disso, é especialmente relevante para mulheres a partir dos 35 anos, quando a produção de colágeno começa a cair de forma perceptível e a pele começa a pedir uma ajuda diferente daquela que o skincare diário consegue oferecer.

Se você quer entender qual protocolo faz mais sentido para o seu caso, o ponto de partida é uma avaliação. A escolha do ativo certo faz toda a diferença no resultado.

*Dra Juliana Fonte é uma médica especializada em dermatologia, área de conhecimento que se concentra no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e afecções relacionadas à pele, pelos, mucosas, cabelo e unhas. Ela é também especializada na atuação em procedimentos médicos estéticos e cirúrgicos na área da dermatologia.

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